resenha / review

Sunrot – Sunnata

Você nunca sabe ao certo o que esperar de algumas cenas undergound de outros países, existe sempre algo que passa fora do radar da grande maioria do público (incluindo eu) mas que consegue se estabelecer em suas respectivas cenas seguindo o DIY, uma base de fãs que mesmo não possuindo números gigantes consegue ser tão passional e dedicada quanto aos outras, e sem muito apoio de gravadoras melhor estabelecidas para ajudar a banda a dar passos maiores. Esse é o caso da banda de Nova Jérsei, Sunrot. Apesar de estar na ativa há um certo período e já ter lançado material anteriormente, eu só conheci a banda através da God Rot, banda que eu resenhei há alguns meses aqui no blog e realizou uma turnê junto da Sunrot.

Então eu resolvi conferir o recente álbum de estreia da banda, o Sunnata, lançado oficialmente no dia 4 de Agosto, para ter uma ideia do que a Sunrot se trata. E confesso que foi uma grande surpresa para mim a forma como eu me identifiquei de uma forma quase que instantânea com a música feita pela banda. A Sunrot mistura Sludge, Doom e Noise  de uma forma poderosa, com energia e intensidade de sobra para obliterar tudo o que estiver à seu alcance. E apenas por contar com tal mistura de estilos, o álbum em já se encaixaria em um lado musical com o qual eu tenho grande afinidade, mas ao decorrer de Sunnata, a banda demonstra que mais do que criar uma música que se assemelhe à alguns nomes populares da cena, ela está consolidando uma sonoridade com forte identidade e bem distinguível.

Então, como eu já adiantei anteriormente, a Sunrot cria uma sonoridade pesada, esmagadora, uma verdadeira onda sonora incontrolável que constantemente irá levar sua mente aos extremos. O álbum é composto por onze faixas e possui cerca de uma hora de duração, o que te leva a se perguntar se esse modo pesado e intenso que a banda segue não soará repetitivo ou mesmo exaustivo em determinado momento do álbum. E eu digo que não, pois é exatamente aí que entra o mérito da banda. Ela sempre consegue introduzir algo ao longo das faixas que funcione como uma breve rota de escape ou apenas fornece uma outra pegada à sua fórmula. E isso é evidenciado desde o início do álbum, a faixa de abertura “A Void”, mais do que servir como uma introdução ao álbum, demonstra alguns desses elementos que a Sunrot utiliza para dar uma quebra no ritmo ou levar às faixas a outro patamar. As distorções, clipes de áudio e atmosfera perturbante de “A Void” serão presentes em outras faixas do álbum.

Você pode esperar de Sunnata faixas que vão direto ao ponto e logo no início revela o caos sonoro que está por vir, como ocorre em “Gormandize”, “Aorta” e “Death’s King”, o instrumental executa ritmos de uma densidade espantosa e a crescente intensidade é mais do que suficiente para te deixar submerso na atmosfera das faixas. Mas Sunrot também apresenta faixas que passam por um desenvolvimento mais detalhado, com a Sunrot atuando de forma mais paciente para te levar ao clímax máximo, como nas faixas “Agonal State” e “Aether”. “Agonal State” possui uma atmosfera inicial envolvente e o instrumental aos poucos vai ganhando proporções colossais, atingindo o ápice na segunda metade da faixa, que se encarrega de distribuir algumas das passagens mais pesadas de todo o álbum. E eu devo mencionar a performance do vocalista Lex, seus berros agonizantes conseguem transmitir uma forma de emoção visceral, que pode ser comprovada muito bem nas faixas já citadas e principalmente na “The One You Feed (Part 1.)”, a faixa mais amena do álbum mas que possua uma profundidade incrivelmente melancólica, e a performance de Lex captou muito bem o clima dela.

Bem, Sunnata é um dos debuts mais interessantes que ouvi ao longo do ano e uma recomendação necessária para todos aqueles que apreciam uma música pesada, barulhenta e bem executada. Então, não deixem de conferir e apoiar a Sunrot!

 

Tracklist:

01 – A Void
02 – Agonal State
03 – Gormandize
04 – Ossuary
05 – Aorta
06 – Angry Downer
07 – Death’s King
08 – Riverbed
09 – The One You Feed (Part 1.)
10 – Aether
11 – Freedom

 

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Um comentário em “Sunrot – Sunnata

  1. ALBUM REVIEW: SUNROT – SUNNATA

    You never know for sure what to expect from some underground scenes from other countries, there is always something that goes off the radar of the vast majority of the public (including me) but can establish themselves in their respective scenes following the DIY, a fan base who even without giant on numbers can be even more passionate and dedicated than others, and without much support from established record companies to help the band take greater steps. This is the case of the New Jersey band, Sunrot. Although they have been active for some time and have already released material previously, I only met the band through God Rot, a band that I reviewed a few months ago here on the blog and toured with Sunrot this year.

    So I decided to check out their full length album Sunnata, officially released on August 4th, to get an idea of what Sunrot is about. And I confess that was a big surprise to me how I identified in an almost instantaneous way with the music made by the band. Sunrot mixes Sludge, Doom and Noise in a powerful way, with plenty of energy and intensity to obliterate everything within reach. And just by having such a mix of styles, the album would already fit into a musical side with which I have great affinity, but in the course of Sunnata, the band demonstrates that more than creating a music that resembles some names popular of the scene, it’s consolidating a sonority with strong identity and very distinguishable.

    So, as I’ve said before, Sunrot creates a heavy crushing sound, a real uncontrollable sound wave that will constantly drive your mind to the extremes. The album consists of eleven tracks and is about an hour long, which leads you to wonder if this heavy and intense way that the band follows will not sound repetitive or even exhausting at any point in the album. And I say no, because that’s exactly where the merit of the band comes in. They always introduce something along the tracks that works as a brief escape route or just provides another footprint to their formula. And this is evidenced from the beginning of the album, the opening track “A Void”, more than serving as an introduction to the album, demonstrates some of those elements that Sunrot uses to break the rhythm or take the tracks to another level. The distortions, audio clips and disturbing atmosphere of “A Void” will be present in other tracks of the album.

    You can expect from Sunnata tracks that go straight to the point and at the outset reveals the coming chaos of sound, as in “Gormandize”, “Aorta” and “Death’s King”, the instrumental performs rhythms of amazing density and increasing intensity that’s more than enough to leave you submerged in the atmosphere of the tracks. But Sunrot also presents tracks that go through a more detailed development, with the band acting in a more patient way to get you to the climax, as in the songs “Agonal State” and “Aether”. “Agonal State” has an engaging initial atmosphere and the instrumental is gradually gaining colossal proportions, reaching the apex in the second half of the track, which distributes some of the heaviest passages of the entire album. And I must mention the performance of vocalist Lex, his agonizing bellows manage to convey a form of visceral emotion, which can be proven very well in the tracks already mentioned and especially in “The One You Feed (Part 1.)”, the most enjoyable track of the album but has incredibly melancholy depth, and Lex’s performance captures the mood very well.

    Well, Sunnata is one of the most interesting debuts I’ve heard throughout the year and a necessary recommendation for all those who enjoy heavy, noisy and well performed music. So, don’t forget to check out and support Sunrot!

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