resenha / review

Crackhouse – Be No One . Be Nothing

O ano tem sido positivo para a banda francesa Crackhouse, em Fevereiro ela lançou um EP auto intitulado, colheu críticas positivas e atraiu o interesse de muitos através de sua sonoridade pesada e bem executada. A banda assinou com o selo italiano Argonauta Records e lançou no dia 6 de Outubro o álbum Be No One . Be Nothing.

Eu confesso que surpresa é a palavra que mais me vêm à mente quando penso em relação à Crackhouse. Aqueles que tiveram a oportunidade de escutar o EP sabem que a banda consegue promover uma mistura harmoniosa de elementos do Sludge, Doom e Stoner, prezando por bons desenvolvimentos e um peso sob medida que consegue ser impactante e agradável. Então ao saber que havia novo material vindo em Outubro, minhas expectativas estavam altas e felizmente foram muito bem correspondidas.

Se antes a banda já apostava em faixas extensas, a ideia foi levada ainda mais adiante no álbum. Contando com apenas três faixas e uma duração total de 51 minutos. A sonoridade continua pesada, mas a banda parte para um caminho mais sombrio e em alguns momentos até mais atmosférico do que foi apresentado no EP. Isso é algo que eu particularmente achei interessante, você se depara com faixas longas e que priorizam um desenvolvimento cadenciado, combinando ritmos densos e incrivelmente densos com momentos em que a banda insere momentos imersivos, profundos e em alguns casos até uma vertente levemente psicodélica.

O álbum abre com a faixa “Burden” e já nos deparamos com um ritmo intenso e peso colossal que se extende por metade da faixa, seguindo uma forma quase ininterrupta. A banda então insere essas passagens mais calmas, com uma ambientação sombria e vai gradualmente retomando a intensidade culminando em um desfecho atmosférico interessante. Já na faixa seguinte “Harva”, você não terá uma rota de escape do ritmo esmagador entregue pela banda, aqui somos constantemente acertados pelo instrumental pesado e berros poderosos que ditam o ritmo seguido pela banda.

No entanto, o melhor ficou para o final. Eu sempre falo como me interesso por faixas mais extensas que o normal justamente por ser uma forma da banda poder introduzir um repertório mais vasto sem ter pressa em chegar na resolução. E isso resume bem o que a Crackhouse conseguiu criar na “Realm”, faixa que encerra o álbum. 22 minutos de duração que particularmente passaram despercebidos graças ao modo bem planejado e executado pela banda. Longas passagens instrumentais que não se prendem exaustivamente às mesmas texturas, abrem espaço para performances vocais que se sobrepõe e se mostram impactante quando exigidas, sempre acompanhadas por riffs sujos e pesados. E novamente, a banda introduz uma passagem amena, pensativa, meio que contendo toda sua fúria e intensidade para um último suspiro que ocorre nos momentos finais da faixa.

O período entre os dois lançamentos foi curto e apesar de apreciar ambos, Be No . One Be Nothing dá passos acertados e evolui os aspectos apresentados pela banda que mais me agradaram no EP. Altamente recomendado!

Tracklist:
01 – Burden (18:09)
02 – Harva (11:14)
03 – Realm (22:42)

Acompanhe a Crackhouse no Facebook.

Argonauta Records.

 

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