resenha / review

Usnea – Portals Into Futility

Entre as diversas bandas que surgiram nos últimos cinco anos que possuem em comum o fato de misturarem vertentes extremas do Metal com o Doom, a Usnea sem dúvida é uma das que mais despertam meu interesse. Então é óbvio que eu tinha um nível de expectativa moderado em relação o Portals of Futility, terceiro álbum de estúdio da banda lançado no dia 8 de Setembro pela Relapse Records.

Nesse tipo de abordagem é comum muitas bandas caírem no esquecimento por não conseguirem reproduzir um tipo de música distinguível e que mantenha a atenção do ouvinte ao longo do álbum. Felizmente com a Usnea isso nunca foi um problema na minha opinião, mesmo que em alguns poucos momentos a banda apresentasse algo que eu poderia questionar diante das minhas perspectivas, na maior parte ela sempre conseguiu abraçar influências vindas do Sludge, Black, Doom e condensá-las à espinha dorsal sustentada no Funeral Doom, dando uma dinâmica versátil capaz de manter sua abordagem sempre em expansão.

E isso fica mais do que evidente ao longo do Portals Into Futility, a banda sempre te apresenta uma cadencia aparente e vai introduzindo de forma gradual passagens mais pesadas, densas e que fazem o fluxo do álbum fluir de uma maneira agradável. A faixa de abertura “Eidolons and the Increate” nos evidencia isso, mostrando um lado da Usnea já conhecido, que não tem medo de se arriscar e sempre olha adiante prezando por desenvolvimentos que se desdobram lentamente e quando atingimos o ponto final desse percurso, podemos olhar para trás e ver a quantidade de detalhes e texturas musical variadas que a banda nos ofereceu.

A parte instrumental possui um trabalho fantástico das guitarras, nada muito fora da rota comum do grupo, mas há uma variedade notável ao longo do álbum. Passagens melódicas incríveis se misturam à momentos mais dissonantes e outros que são simplesmente viscerais e precisos. Em “Demon Haunted World” o poderio sonoro do quarteto se demonstra afiado, as progressões de ritmo ocorrem naturalmente e isso nos permite ter uma imersão maior dentro da atmosfera do álbum.

E o efeito do instrumental ganha proporções ainda mais intensas e profundas quando analisamos a performance dos vocais. Os guturais e berros ásperos são constantes e estão sempre se alternando ao longo do álbum, mas há também o uso de vocais limpos e cânticos como no final da faixa “Eidolons and the Increate” e principalmente na “A Crown of Desolation”, desfecho épico de 19 minutos de duração, uma daquelas faixas onda a banda corre mais riscos mas que no caso da Usnea ela consegue suceder e entregar algo grandioso em ambos os sentidos, a faixa é incrivelmente poderosa e traz algumas das melhores e mais belas passagens de todo o álbum.

Portals into Futility é um álbum que requer sua atenção e algumas audições para ser inteiramente apreciado, sem ter pressa ou tentar pular logo para as conclusões. Ele dá continuidade ao que foi apresentado pela banda nos trabalhos anteriores, além de ser uma indicação valiosa para aqueles que ainda não conhecem o som da banda, mas se identificam com os estilos que ela aborda em sua música.

Tracklist:

01 – Eidolons and the Increate (11:56)
02 – Lathe of Heaven (09:45)
03 – Demon Haunted World (06:34)
04 – Pyrrhic Victory (08:26)
05 – A Crown of Desolation (19:03)

 
Usnea na web: Facebook e Site Oficial
Disponível via Relapse Records.

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