resenha / review

CODE ORANGE – FOREVER

Apesar de ter sido lançado no mês de Janeiro, só agora tirei um tempo para falar sobre Forever, o novo álbum de estúdio da banda americana Code Orange. Nos últimos anos ela despontou como uma grande novidade na cena do Hardcore / Metal, muito graças ao álbum I Am King lançado em 2014.

A banda chamou tanta atenção que acabou assinando com a Roadrunner Records, e a gravadora além de ceder todos os recursos necessários para que a banda elaborasse o sucessor do I Am King, também deu a liberdade para que ela fizesse o álbum do jeito que gostaria, sem nenhum tipo de interferência ou exigência como já aconteceu diversas vezes com bandas que assinaram com um selo grande. E Forever se transformou em um dos álbuns mais falados do ano, gerando um hype que pegou os desavisados em cheio.

E hype é algo difícil de lidar, eu particularmente não sou de seguir a onda criada em torno de certos álbuns, pois eu mesmo já faço isso com as bandas que acompanho à longa data e sei que podem entregar algo acima da média. E no caso da Code Orange, a hype é valida em alguns aspectos. O álbum é realmente bom, a mistura da banda passa pelo Hardcore, Metal, Industrial e mais alguma coisa que eu provavelmente me lembrarei quando postar esta resenha. Muitas faixas no álbum trazem um peso descomunal, com vocais berrados característicos do estilo, desencadeando uma onda sonora de intensidade violenta e esmagadora como a banda demonstra nas faixas “Forever” e “Spy”.

Esse seria o mais comum de se esperar da Code Orange, mas é justamente onde ela trata de se reinventar e fazer algo fora da caixa é que o álbum fica interessante. Se você não se sente atraído por algo mais dentro do Noise e aquela sujeira do Industrial, faixas como “Real” e “The Mud” não farão o efeito positivo pensado pela banda ao decidir inseri-los. Mas se você for um pouco mais aberto a experimentações e ter a mente livre de qualquer barreira que possa existir dentro dos estilos musicais, certamente a experiência será interessante. E levando em consideração como a banda transita por uma paleta musical diversa, isso é algo necessário para apreciar o álbum inteiramente. “Bleeding In The Blur” é um exemplo de faixa grudenta, ela é a mais acessível de todo o álbum e segue uma abordagem mais alternativa e com uma pegada Grunge, com a Reba Meyers assumindo os vocais e entregando uma performance inspirada.

No entanto, o álbum possui algo que para alguns soa como um grande problema. Em muitos dos momentos em que ela introduz esses elementos do Industrial e afins, ela aplica uma série de cortes abruptos e que em muitos momentos quebram todo o efeito que vinha sendo construído pelo instrumental. É estranho mas não do jeito que eu estou acostumado. Na “Kill The Creator” por exemplo, a banda interrompe a pancadaria aplicada sem misericórdia para inserir uma breve passagem eletrônica / dark ambient, e novamente ressalto, de uma forma abrupta. É como se a banda de fato cortasse o trecho da faixa e inserisse algo no lugar que pode soar fora do contexto. A mesma coisa ocorre na “Real” e “The Mud”, só que ao contrário da “Kill the Creator” as sequências se estendem um pouco mais, causando a mesma sensação de deslocamento, o que no caso da “The Mud” muda completamente o panorama da faixa. É um tipo de detalhe que geralmente passaria despercebido, mas em algumas faixas isso realmente causa estranheza e pode te tirar do clima do álbum.

Forever mostra uma Code Orange sem medo de se arriscar e reinventar sua proposta musical, a banda tem meu respeito por tentar criar algo diferente que correspondesse à liberdade criativa de seus integrantes. Com exceção do detalhe em relação aos cortes, eu achei o álbum muito agradável e com algumas faixas espectaculares. A surpresa não ficou por conta da qualidade do álbum, mas sim pelo meio que ela atingiu o êxito desta vez.

Tracklist:

01 – Forever
02 – Kill the Creator
03 – Real
04 – Bleeding the Blur
05 – The Mud
06 – The New Reality
07 – Spy
08 – Ugly
09 – No One is Untouchable

 

Code Orange: Site Oficial / Facebook.

Ouça o álbum no Spotify.

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