resenha / review

Hamferð – Támsins Likam

Uma das coisas mais recompensadoras que alguém que está sempre acompanhando determinada cena musical pode conseguir, é a oportunidade de conhecer bandas dos mais diversos lugares e que trazem para o seu âmbito musical, elementos da cultura, folclore e natureza de sua terra natal.

A Hamferð é uma dessas bandas. O originária das Ilhas Faroe, que poder ser considerado um lugar atípico para se esperar algo relativo à cena de algum subgênero do Metal, o que inicialmente soará como um atrativo à parte para muitos.

Em seu segundo álbum de estúdio Támsins Likam, lançado pela Metal Blade Records, a Hamferð dá continuidade ao conceito explorado no álbum anterior, captando o clima gélido e atmosfera densa presentes nas histórias ligadas à origem do nome da banda, que na cultura do país está relacionada à contos de aparições de marinheiros desaparecidos e toda situação envolvendo seus entes queridos e familiares.

Para ser justo, a Hamferð não é algo que surgiu de repente. Formada em 2008, a banda já havia vencido a batalha de bandas no Wacken Festival e excursionado ao lado da lendária Amorphis. Ao escutar Támsins Likam, espere por um álbum bem conduzido, prezando por uma cadência e elaborações mais calculadas. São seis faixas bem interessantes nas quais a banda consegue demonstrar em doses generosas um pouco da diversidade que rodeia sua paleta musical.

A faixa de abertura “Fylgisflog” inicia com arranjos beirando o minimalista, numa calmaria e sensação de tranquilidade que são bem captadas pelo vocalista Jon Aldara. Leva um certo tempo, mas a faixa finalmente se revela um colosso com rffs pesados, teclados fantasmagóricos e instrumental se tornando denso e atmosférico, com Aldara alternando entre belas passagens limpas e guturais cavernosos. Na faixa seguinte “Stygd”, um ritmo vagaroso em companhia dos guturais do vocalista Jon Aldaram tratam de nos recepcionar.  A percussão calma, riffs pesados, mas sem atingir uma intensidade esmagadora são os destaques e o desenvolvimento é surpreendente, Jon Aldara executa vocais limpos formidáveis e que atua em grande harmonia com o instrumental atmosférico e belo.

Os vocais limpos são sem sombra de dúvidas um dos melhores pontos do álbum. Eles atuam de uma forma operística e repleta de uma carga dramática que capta bem o tom geral do álbum, e o fato de cantar em seu idioma natal ajuda a criar uma certa distinção de tudo aquilo que você está habituado à escutar, e também, criar uma experiência sensorial de deixar até o metaleiro mais carrancudo com arrepios na espinha.

Na faixa de encerramento “Vápn Í Anda”, temos a performance mais marcante de Aldara e aquela que se tornou minha faixa favorita do álbum. Épico desfecho que beira os 11 minutos de duração, “Vápn Í Anda” caminha por paisagens sonoras gélidas, angustiantes, contrastando entre o início sereno que remete à muitas passagens e momentos do álbum, e o tom fúnebre e melancólico conduzido pelas passagens mais pesadas, onde toda a parte instrumental é incrivelmente bem construída e recheada de detalhes para aqueles que gostam de entregarem por completo as suas mentes à esse tipo de faixa.

Assim como a história contada pela banda, Támsins Likam é um álbum construído capítulo por capítulo, ou nesse caso, faixa por faixa. Você não fica com aquela sensação de desfecho ou término entre uma faixa e outra, mas sim de continuidade, uma sequência de ideias sendo estruturadas e complementadas. Támsins Likam é uma expressão diferenciada daquilo que habitualmente encontramos no Doom, mas que certamente fará bem tanto aos ouvidos quanto as mentes de muitos ouvintes.

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