resenha / review

Abjection Ritual – Soul of Ruin, Body of Filth

Basicamente, eu não tinha prestado tanta atenção ao som feito pela Abjection Ritual anteriormente, além de breves audições do álbum Futility Rites meses após o seu lançamento. Apesar disso, me senti instigado à ouvir o recém lançado Soul of Ruin, Body of Filth, após ver alguns comentários interessante à respeito do álbum. E após escuta-lo várias e várias vezes, fico feliz em dizer que foi uma das melhores decisões que fiz recentemente.

A Abjection Ritual trilha um caminho aberto em relação à sua abordagem musical neste novo álbum, reunindo estilos diferentes sem sentir a necessidade de se prender à um deles em específico ou se encaixar em um rótulo qualquer. Aquela abordagem barulhenta e capaz de lhe deixar desorientado que a banda adotou anteriormente, que reunia elementos vindos do submundo da música eletrônica e industrial, passa a incorporar mais dinâmicas vindas das cenas Doom e Sludge, resultando em algo que fãs de bandas como Godflesh, Neurosis e até mesmo The Body, só para citar algumas.

Mas ao contrário do que você deve estar imaginando, o álbum não começa jogando todas essas características logo na primeira faixa. ‘Lamentations’ de uma forma surpreendente, introduz uma dinâmica ambient e minimalista que reúne uma série de vocais femininos hipnóticos, criando uma passagem ritualista para a faixa seguinte ‘Body of Filth’. E é a partir daí que o álbum te pega pela mão e não soltar mais. ‘Blood Mother’ e ‘Ruin’ são duas faixas pesadas, intensas e que se destacam com facilidade logo na primeira audição por trazerem elementos mais conhecidos à mesa.

Isso na teoria, porque na prática a ‘Blood Mother’ traz uma parte inteiramente focada nos elementos do noise/ambient entre duas passagens com estruturas mais definidas a fáceis de assimilar. É uma ideia interessante mas que para mim funciona melhor na ‘Old Sins’, faixa de encerramento na qual a banda não fica no meio termo entre o Industrial e o Doom/Sludge, mesclando todos e criando um híbrido claustrofóbico e doentio dentro dessa vertente sonora presente no álbum.

‘Ruins’ é a faixa que mais me agradou no álbum, ela traz uma abordagem mais atmosférica que as demais, trazendo uma certa dissonância, riffs pesados e algumas das melhores performances dos vocais ao longo do álbum, alternando entre berros ríspidos enfurecidos e linhas angustiantes que condizem perfeitamente com a sensação contida na faixa.

Embora seja um álbum mais “metal” que o anterior, Soul of Ruin, Body of Filth não deixa de lado características comuns dos outros discos da banda. Há uma série de elementos eletrônicos ao longo do álbum, assim como faixas absolutamente noise e experimentais, nas quais a densidade abismal é capaz de te engolir aos poucos para dentro de uma ambiente sinistro e horripilante. Você só precisa escutar a faixa ‘Carnassial Passage‘ para ter uma noção exata do que eu estou dizendo.

Da mistura entre sonoridades escolhida pela banda, até a ordem das faixas que vão gradualmente se tornando mais longas e consequentemente mais densas, Soul of Ruin, Body of Filth é um disco interessante, pesado e com mais personalidade que muitos outros que escutei ao longo do ano. Sem dúvida um dos destaques deste primeiro semestre.

a2944660245_16

Tracklist:

01 – Lamentations
02 – Body of Filth
03 – Blood Mother
04 – Deathbed Conversion
05 – Ruin
06 – Carnassial Passage
07 – Old Sins

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s