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Entrevista: Riffcoven

A banda Riffcoven é uma das boas surpresas vindas da cena Stoner/Doom neste ano. Ela lançou seu disco de estreia intitulado Crown of Darkness logo no comecinho de Janeiro, e desde então, vem fazendo a mente de uma galera dentro e fora do país.

Tivemos a oportunidade de bater um papo com o carismático André Bode, e caso você esteja conhecendo a banda através dessa entrevista, lhe sugiro que dê play no Crown of Darkness enquanto faz a leitura.

 

 

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Foto: Camila Stenico

 

D: Agradeço por concederem essa entrevista! Como está sendo esse ano de 2018 para vocês, com o lançamento do Crown of Darkness e a possibilidade de se apresentar ao vivo com a Riffcoven?

A: Nós que agradecemos pelo espaço no Doombringer! 2018 começou muito bem, o lançamento do álbum foi muito bem recebido pela galera que aprecia o estilo, rolou em diversas rádios de internet, recebemos inclusive convites para diversos shows de uma galera que escutou o trabalho. Estamos bem empolgados em cumprir essas agendas, a galera tem dado um feedback bem positivo das apresentações.

D: A Riffcoven não é a primeira banda em que participam, vocês tem um passado ligado à bandas de outras vertentes do Metal. Como surgiu a ideia de criar a Riffcoven e entrar nesse submundo do Stoner/Doom?

A: Pra começar é um estilo que sempre gostamos, mesmo tocando em outras bandas bem diferentes, eu e o Paulo (Old One) sempre arriscamos umas jams juntos pensando em tocar algo direcionado ao Doom. Eu mesmo no Gasoline Special fiz umas 2 músicas bem nessa onda. Mas nossa primeira tentativa foi lá por 2008 ou 2009 junto com outros artistas da cidade, mas só rendeu uns 2 ensaios. Depois, ali por 2014 tentamos um projeto em duo tb chamado “The Vimana´s Eternal Trip”, que rendeu a música “Sagradas Vimanas”. Esse foi o embrião do Riffcoven. Em menos de 1 ano ensaiando abandonamos o projeto pois nossas outras bandas estavam nos ocupando demais. Então em 2016 voltamos a fazer umas jams, eu estava com uma guitarra afinada pra isso e com uns pedais de fuzz novos que ajudaram a bolar uns riffs bem legais. A gente foi se empolgando com os sons que estávamos fazendo e então resolvemos que estava na hora de organizar tudo e começar a gravar em 2017.

D: Ao escutar o Crown of Darkness é possível ver que vocês possuem uma série de influências, eu mesmo me surpreendi quando escutei o disco pela primeira vez e me deparei com o clima esotérico das faixas ‘Asuras’ e ‘Sagradas Vimanas’. Quais foram as principais influências que motivaram vocês na criação do disco? Existe alguma banda nacional que influenciou no som da Riffcoven?

A: Ambos gostamos muito de bandas mais clássicas como Black Sabbath, Candlemass, Motorhead e Cathedral, também somos grandes fãs de Electric Wizard, the Obsessed e Sleep, e de toda aquela galera maneira de New Orleans, como Crowbar, COC, Down e Eyehategod mas também dividimos uma paixão por Entombed, Type O Negative e Carnivore. Eu gosto muito de bandas de Stoner rock como Fu Manchu e Nebula, também gosto muito de Monster Magnet, Brant Bjork e Kyuss… O Paulo também curte umas bandas de Doom mais pro lado do metal, estilo Paradise Lost e Hooded Menace. E tem os temas das músicas, que nesse disco giram entre mitologia hindu, contos do personagem Conan de Robert E. Howard, umas letras satânicas que falam de amplificadores e pedais de fuzz… Só coisa fina!
Algumas das Bandas nacionais que me influenciaram na temática e/ou na sonoridade foram: Cocaine Cobras, Infamous Glory, Son of a Witch, Stone House on Fire, Saturndust, Hellhound Syndicate, Ruinas de Sade e Projeto Trator.
Foi muita sorte ter um brother como o Gabriel Pereira (Pão) que tem um Sitar Indiano em casa pra gravar no álbum, ficou do caralho o resultado, ele é um puta músico aqui da nossa região.

D: A Riffcoven começou fazendo seus primeiros shows como um duo, apenas guitarra e bateria. Vocês compuseram alguma música para tocar nesse formato ou apenas adaptaram as músicas do álbum?

A: Todas as músicas foram feitas nesse formato, pensando em tocar em dois, na verdade foi durante as gravações que surgiram as idéias de gravar mais guitarras. Como nos ensaios eu só podia tocar as bases eu nunca tinha pensado no que eu poderia fazer. E só depois que eu já havia gravado as bases de guitarra e o baixo que eu fui escutar para compor melodias, algumas outras linhas e os solos.

D: Agora a banda se tornou um trio com a entrada do Andrea Zoccoli, assumindo o posto de baixista. Como rolou o convite para que ele se tornasse parte da banda? E com essa formação, vocês já tem trabalhado em algum som novo?

A: Cara, o Andrea foi um lance maluco, o Paulo já o conhecia nessa cena de compra e venda de vinil. Quando lançamos os primeiros discos promocionais ele enviou um pro Andrea, que foi escutar quase 1 mes depois pois estava viajando. Quando ele conseguiu escutar gostou tanto que entrou em contato com o Paulo pra falar que tava afim de tocar com a gente. Porra, é uma característica de bandas de Jundiaí ter dificuldade de encontrar baixista, achávamos que tocaríamos como duo por muito tempo por causa disso, então aparece um cara afim de tocar e trabalhar com a banda. Não tínhamos porque não tentar. E o cara manda bem, deu um puta gás na gente pra trabalhar material novo o quanto antes.

D: Me lembro que em uma conversa você havia me falado que em uma época quase desistiu do projeto. Você poderia comentar o que aconteceu?

A: Então, a gente começou a gravar sem muita pre-produção, o que gerou alguns desencontros no início da gravação. Estávamos tocando juntos a 1 ano, disso surgiram músicas que trabalhamos pra fechar algum material, mas não estavam muito lapidadas, do jeito que tocávamos nos ensaios elas foram levadas pro estúdio. Mas conforme as músicas foram rolando, a gente foi ficando animado e confiante com o resultado.

D: Desde o meu primeiro contato com a Riffcoven, vocês já estavam no corre para tentar um acordo com algum selo para disponibilizar o material em formato físico. Há algo concreto no momento ou vocês ainda estão na correria?

A: Depois que o Andrea entrou na banda, surgiu a idéia de fazer o formato físico o quanto antes. Ele ia lançar sozinho pelo selo dele, a Pactus Records que já lançou Anjo Gabriel em Vinil, mas como eram muitas cópias decidimos entrar com ele já que o Paulo também tem um selo, a Dobberman Records e eu queria começar um pra ajudar a lançar bandas que eu gosto. Então criei a Fuzztron Records e o Riffcoven foi meu primeiro lançamento. O disco Crown of Darkness hoje está disponível em Digipack.

D: Quais são os planos da Riffcoven para o restante do ano? Sei que vocês estão tentando agendar datas para se apresentar, tiveram alguma proposta?

A: A idéia é tocar fora do estado de SP até o final do ano, existem propostas e estamos em conversa com produtores. Estamos preparando algum Merch pra vender nos shows também. Arrumamos algumas datas pra Julho, em São Paulo com o Mandibulla, em Araras com o Horned Owl Valley e Água Pesada. Vai rolar uma reunião de bandas aqui da região na cidade de Campo Limpo Paulista, com a presença de 2 bandas de doom, a Corehum e Doomslang. Temos outras datas em outras cidades aguardando confirmação. Estamos em contato com o pessoal da Cosmic Rover e Octopus Head, até o final do ano vão rolar umas boas surpresas com esses caras, com certeza.

D: Deixo o espaço liberado para vocês comentarem sobre qualquer coisa que não tenha sido abordada acima, mas que vocês julgem ser necessário falar sobre. Agradeço pela atenção, um grande abraço!

A: Queria agradecer a toda galera que demonstrou interesse em conhecer nosso trabalho, tanto a galera que curte som e entrou em contato quanto todo o pessoal de blog, radio web, integrantes de bandas e produtores de selos e de shows que NÃO nos deixaram no vácuo quando começamos a fazer contatos e enviar nosso material na busca de apoio e pra fazer acontecer. Isso é realmente muito importante pra gente, não vamos esquecer e sempre vamos tentar retribuir a altura! Esse está sendo um começo muito bom pro Riffcoven, ficamos muito felizes de já estarmos dividindo isso com uma galera maneira, esperamos só expandir essa rede com o passar do tempo. Acho que isso que faz a música valer a pena, tão bom quanto tocar alto e pesado é criar essas novas relações, conhecer gente que compartilha dessa brisa, isso é pro resto da vida, vai além da banda. Estamos aqui pra isso.

Muito obrigado, Tiago e blog Doombringer pela oportunidade! Estamos Juntos!

 

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Khemmis – Desolation

 

Não era uma tarefa fácil para a banda americana Khemmis fazer algo que superasse o Hunted, mas confesso que Desolation me deixou dividido na hora de escolher entre ele e o Hunted. E por mais que eu não tenha o hábito de criar uma espécie de cobrança ou nutrir expectativas em excesso, no caso da Khemmis se torna uma tarefa difícil levando em consideração como os dois discos anteriores me agradaram e conseguiram me impressionar de certa forma que não acontece com frequência.

Desolation chega oferecendo tudo aquilo que o quarteto tem de melhor: guitarras marcantes e repletas de melodias grudentas, composições que não se prendem à padrões e dinâmicas repetitivas, além de vocais cheios de feeling e um tom que casa muito bem com o instrumental.

A banda segue utilizando uma paleta de influências vindas das eras mais clássicas e tradicionais do metal além daquela pegada Doom Metal numa linha épica e melódica, mas sem necessariamente soar presa em algum estilo. Ela cria um tipo de som expansivo, que passa por momentos que você pode até notar uma influência do progressivo no som, ou então mergulhar nas influências mais extremas do grupo que vez ou outra são entregues através de passagens marcantes com riffs turbulentos e berros furiosos.

E por mais que a musicalidade do grupo seja mais do que evidente, a forma como ela consegue criar um álbum repleto de faixas que te fisgam logo na primeira audição é o que mais me chamou atenção no Desolation. Não sei se é somente pela jornada e o fato de nessa altura já conhecer bem a banda, ao ponto de que meu cérebro assimilou mais rapidamente o disco, ou se é mais por mérito dela ao criar faixas tão orgânicas e detalhadas mas que conseguem “falar” numa linguagem mais próxima do ouvinte.

E deixo uma menção especial à faixa de encerramento ‘From Ruin’, que é de longe uma das melhores faixas pelo grupo. Ela tem todo esse aspecto grandioso, é uma daquelas epopéia nas quais a banda te leva por uma série de sensações explorando as mais diversas sonoridade, tudo isso criado e conduzido de uma forma fluida e organizada.

Se antes já era difícil tentar encaixar a sonoridade da banda em um mero rótulo, Desolation torna isso ainda mais complicado. É um disco de metal acima da média que certamente vai agradar à muitos.

Ouça

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Urfaust – The Constellatory Practice

 

É incrível como a discografia da Urfaust se tornou tão expansiva e rica em termos de musicalidade e criatividade. Concebida nos anos 90, a banda seguiu o feliz caminho de outras da cena Black Metal dos anos 90 que abandonaram aquela abordagem crua e visceral que marcou o estilo no período e tratou de se reinventar a cada disco lançado, ou pelo menos, tentar pensar um pouquinho fora da caixa e explorar outras sonoridades e ideias.

A banda é responsável por alguns dos melhores discos que escutei nos últimos anos, e não digo isso me referindo à apenas uma cena musical, mas sim de uma forma geral. A trilogia iniciada em 2015 com o EP Apparitions, teve sequência através do fantástico Empty Space Meditation e encontra seu desfecho com o recém lançado The Constellatory Practice.

Entre os diversos aspectos positivos e interessantes apresentados ao longo do álbum, um dos que mais chamam a atenção é como a sonoridade da banda parece se situar dentro de seu próprio contexto, sem se tornar algo necessariamente que vá atender à ´rotulos específicos. A banda mistura texturas do metal extremo e Doom Metal, apostando linhas vocais épicas e em ritmos cadenciados repletos de timbres monolíticos mas que conseguem sempre te levar adiante, jogando atmosferas sombrias e misteriosas que aos poucos vão se revelando verdadeiros mantras e que possuem um clima meditativo único.

Por mais que esse lado monolítico do disco seja bem evidente em alguns momentos, ele não impede a banda de experimentar e introduzir diferentes tipos de melodias ou de mesmo aplicar certos tipos de progressões. Isso é logo evidenciado pelas duas primeiras faixas do disco. Enquanto ‘Doctrine of Spirit Obsession’ vem com seus 13 minutos de uma verdadeira jornada sensorial , ‘Behind the Veil of the Trance Sleep’ exclama com sua diversidade de texturas, indo de momentos calmos à passagens ásperas e turbulentas que invocam um espírito similar aos dos primeiros trabalhos da banda, antes de te lançar novamente no ritual altamente atmosférico e delirante que é uma das marcas principais do disco.

Por mais que eu descreva e tente detalhar o álbum, The Constellatory Practice possui uma grandeza que é difícil de tentar reproduzir com palavras. É um tipo de álbum para se experienciar diversas vezes e permitir que sua mente penetre no âmago musical do grupo.

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King Goat – Debt of Aeons

 

Após o lançamento do aclamado Conduit em 2016, a banda britânica King Goat retorna com seu segundo álbum de estúdio Debt of Aeons, lançado no dia 20 de Abril via Aural Music.

Se você já teve a oportunidade de escutar a banda anteriormente, sabe que a King Goat é mais uma banda que aposta na fusão de elementos do Rock Progressivo com o Doom Metal. O resultado além de ter se demonstrado eficiente e singular em relação à outras bandas que se aventuram por esse caminho, trazia uma clara influência da escola épica do Doom Metal.

Debt of Aeons não foge muito das características do Conduit, a King Goat segue criando um instrumental incrivelmente expressivo e expansivo, se sustentando em progressões bem executadas e com inserções de dinâmicas que impedem que o álbum se arraste por repetições indesejadas. E por focar numa temática que lida com aspectos relacionados ao declínio e pessimismo que existem em nossa sociedade, é natural que o álbum soe mais sombrio, aliás, é algo necessário.

As três primeiras faixas do álbum não são tão focadas na linha progressiva que fizeram de Conduit ser tão eficiente. Elas partem para o lado mais épico da King Goat, abraçando a aura old school do Doom Metal. Pesado e arrastado, mas que não deixa de apresentar um instrumental convincente e bem conduzido, que juntamente das performances fantásticas e passionais do vocalista Anthony Trim elevam o patamar à um outro nível.

As coisas tomam outro rumo após a faixa ‘Psychasthenia’, justamente quando a King Goat traz para o centro das atenções elementos do rock progressivo que foram tão marcantes no Conduit. ‘Doldrum Sentinels’ e ‘On Dusty Avenues’ trazem mais variedade à música da banda, composições que de certo modo poderiam ser descritas como complexas e estão sempre seguindo adiante, se apresentando de uma forma tão fluida que cria uma proximidade imediata com o ouvinte. Inclusive a ‘On Dusty Avenues’ está entre as melhores faixas que escutei nesse ano, tem toda uma caracterização grandiosa e necessariamente épica, conseguindo transmitir não apenas o feeling geral do álbum, mas também demonstrar aquilo que há de melhor na música da King Goat.

Por mais que Conduit tenha estabelecido um padrão alto de expectativas em relação à King Goat, Debt of Aeons conseguiu atingir o nível encontrado do disco de estreia, algo que me deixaria até indeciso se você me perguntasse qual dos dois é o meu favorito. Espero que a banda continue me dando essas dúvidas agradáveis em seus próximos álbuns.

Tracklist:
01 – Rapture
02 – Eremite’s Rest
03 – Debt of Aeons
04 – Psychasthenia
05 – Doldrum Sentinels
06 – –
07 – On Dusty Avenues

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Haunted – Dayburner

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Dayburner é o mais novo álbum da banda italiana Haunted, já disponível para streaming e com lançamento oficial das versões físicas agendadas para o dia 8 de Junho via Twin Earth Records (CD) e Graven Earth Records (K7). O disco de estreia deles foi uma das boas surpresas que tive em 2016, trazendo uma sonoridade pesada e sombria nos moldes da Windhand, o que me causou uma boa impressão e naturalmente me deixou curioso para saber o que a banda entregaria futuramente.

Dayburner segue basicamente os mesmos padrões sonoros do álbum de estreia, a banda optou por aprimorar o tipo de som que fazia ao invés de propor mudanças drásticas à sua fórmula. E não digo isso para insinuar que o álbum seja apenas uma repetição do primeiro ou algo do tipo, há certos momentos em que você pode perceber que a banda está experimentando algo novo, mas sem sair do caminho que escolheram. É uma decisão mais segura e que não afeta o desempenho do disco, principalmente se você já havia gostado do que ouviu anteriormente.

A banda está mais sombria do que antes e as composições apresentam melhorias em todos os aspectos. As guitarras no disco são fascinantes dentro da ótica oculta e macabra que existe na música da Haunted, sendo responsáveis pelos já conhecidos e apreciados riffs marcantes e pesados, mas também adicionando algo à mais como os arranjos suaves que retiram inspiração da música folk na abertura da faixa título, ou a atmosfera espessa e envolvente existente na faixa ‘Vespertine’, que é a mais distinta do álbum e traz algo de diferente ao âmbito musical do grupo, tanto no ponto de vista de estilo quanto de estrutura.

E como não poderia ser diferente, os vocais da Cristina Chimirri estão fantásticos. Eu sinto que toda a banda se sentiu um pouco mais livre, e confortável neste álbum, e isso é algo que reflecte diretamente na performance dela, que demonstra ainda mais versatilidade e passionalidade em Dayburner do que havia nos transmitido no álbum de estreia. Ela tem uma presença forte, soa misteriosa, tocante e libertadora, é o tipo de voz ideal para representar o tipo de som feito pela banda e isso fica claro ao escutar faixas como ‘Mourning Sun’ ou ‘Waterdawn’.

Em Dayburner a Haunted se mostra mais madura e eficiente naquilo que sabe fazer de melhor, o que será motivo suficiente para agradar tanto aqueles que curtiram o disco de estreia, quanto aqueles que estiverem conhecendo o trabalho da banda através deste álbum.

Tracklist:

01 – Mourning Sun
02 – Waterdawn
03 – Dayburner
04 – Communion
05 – Orphic
06 – Vespertine
07 – No Connection With Dust
08 – Lunar Grave

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Chrch – Light Will Consume Us All

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É fácil encontrar motivos para elogiar uma banda como a Chrch. O quinteto de Sacramento despontou no cenário do Doom Metal dos últimos anos mostrando ser uma força considerável e um daqueles nomes promissores para ficar de olho. Eis que surge Light Will Consume Us All, segundo álbum de estúdio da banda lançado no dia 11 de Maio via Neurot Recordings. E ele é sem nenhuma dúvida um grande passo adiante em relação ao álbum de estreia.

Óbvio que não digo isso com o intuito de diminuir o álbum de estreia da banda, mas sim para reafirmar a qualidade e evolução que ela apresenta em seu mais novo trabalho. Light Will Consume Us All apresenta três faixas extensas nas quais a Chrch expande seus horizontes musicais, criando um álbum instigante e grandioso.

‘Infinite Return’ tem um início repleto de mistério, é a Chrch lhe introduzindo à faixa mais extensa do álbum. É interessante a musicalidade do grupo logo na primeira faixa, não apenas se tratando da qualidade que já era algo aparente nos lançamentos anteriores, mas a maneira que a banda transita por uma série de ritmos densos indo de passagens introspectivas à momentos em que sua alma vibra com as linhas de guitarras cheias de melodias que ecoam através da faixa. Os vocais complementam muito bem a atmosfera graças ao tom fantasmagórico vindo da voz da Eva Rose, soando distantes e carregando uma calma surpreendente apesar do instrumental pesado vir esmagado tudo ao seu redor.

Na sequência vem a faixa ‘Portals’. O ritmo inicial monolítico desencadeia uma onda sonora de pura devastação, algo grandioso e nocivo mas que consegue te atrair graças aos vocais hipnóticos que nos guiam pelos primeiros momentos da faixa. A atmosfera vai te lançando em camadas cada vez mais densas e uma sensação de melancolia crescente pode ser sentida. Já nesse ponto fica claro como a Chrch é capaz de orquestrar as mais diversas melodias e explorar diferentes climas em sua música, vai do caótico e pesado ao acolhedor e transcendental em questão de instantes. A aura nebulosa e intoxicante que exala do solo final de guitarra é apenas reafirmada graças à performance da Eva, que mais uma vez atua como nossa guia através deste lugar incerto pelo qual caminhamos.

Chegamos ao desfecho com ‘Aether’. Sensação de melancolia ao máximo marca a faixa de encerramento do álbum. Logo nos primeiros instantes a Chrch deixa claro se tratar de uma faixa incrivelmente fúnebre, tanto no ritmo quanto na sensação que lhe acompanhará ao longo dela. O uso de vocais ásperos e angustiantes é um complemento ideal para o clima da faixa, eles tiveram uma breve participação nas faixas anteriores, mas em Aether, é onde urgem com toda emoção possível. É interessante ver como o álbum caminha até este ponto final, embora seja um álbum pesado, a Chrch consegue criar algo mais pensativo, elaborar faixas que transitam por variações interessantes, sejam no instrumental ou na atmosfera, à medida que o álbum avança ele se torna cada vez mais sombrio e doloroso, encerrando em uma brutalidade espantosa num último suspiro antes de sermos inteiramente consumidos.

Em Light Will Consume Us All a Chrch mostra uma habilidade incrível ao misturar diversas influências de uma forma criativa e que consegue se estabelecer dentro da própria identidade musical do grupo, mas sem deixar de trazer um tom familiar e apreciado pelos ouvintes. Definitivamente um álbum para entrar na minha lista de favoritos do ano.

Tracklist:

01 – Infinite Return
02 – Portals
03 – Aether

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Morag Tong – Last Knell of Om

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Se você não acompanha a franquia Elder Scrolls, o nome Morag Tong deve soar como uma grande novidade para você. Mas não será hoje que eu irei falar sobre os jogos que gosto por aqui (talvez um dia, quem sabe), e sim focar na banda britânica que retirou dele a inspiração para seu nome.

Uma das boas novidades da cena undergorund britânica, a Morag Tong lançou no dia 18 de Maio seu primeiro full lenght, o Last Knell of Om. O álbum surge como o sucessor do EP Through Clouded Time e vem para reforçar os aspectos positivos encontrados no lançamento de 2016.

A primeira coisa que você tem que ter em mente em relação à banda e ao álbum, é que você não será jogado dentro de um desfile descontrolado de riffs repetitivos sem emoção ou profundidade. A Morag Tong é uma daquelas bandas que optam em priorizar o clima e atmosfera do álbum, te conduzindo através de uma dualidade entre dinâmicas capazes de demonstrar tanto seus momentos mais psicodélicos quanto passagens densas e pesadas. Os exemplos ficam por conta das faixas ‘New Growth’ e ‘We Answer’. Embora a ideia de evolução seja similar em ambas as faixas, elas soam totalmente distintas, cada uma dentro de suas próprias características e peculiaridades.

O clima lisérgico do álbum ganha contornos melancólicos através da faixa ‘To Soil’, onde as influências do Drone e Sludge ganham mais espaço e são responsáveis por moldar uma das faixas que mais me agradaram no álbum. É uma mudança de panorama interessante, a faixa apresenta uma atmosfera mais espessa que as demais, assim como um clima sombrio que vai te envolver gradualmente. Vale ressaltar a performance do vocalista/baterista Adam Asquith, entregando berros gélidos e angustiantes que se diferenciam das linhas calmas e suaves que dominam outros momentos do álbum.

A extensa faixa de encerramento ‘Ephemera – Stare Through The Deep’ pode ser incluída em partes nessa característica, mas por ser a mais expansiva do álbum e aquela que mais transita pela paleta musical do grupo, é difícil enquadrá-la em apenas uma descrição à parte. É sem dúvida o ponto de maior destaque do álbum, possuindo um instrumental afiado e diversificado, que conta com uma série de desenvolvimentos necessários para que sua mente seja consumida inteiramente.

Last Knell of Om alia elementos conhecidos de bandas mais tradicionais dentro do Stoner/Doom, com uma série de influências que dão um tom diferenciado àquilo criado pela Morag Tong. Vale a pena ficar de olho nesses caras!

Tracklist:

01 – Transmission
02 – New Growth
03 – We Answer
04 – To Soil
05 – Ruminations
06 – Ephemera – Stare Through The Deep