resenha / review

ITD debate alienação religiosa e política em nova música

into

Na linha de frente da resistência do doom metal tradicional brasileiro há mais de 20 anos, o Into the Dust (ITD) divulga a nova música ‘Peregrinação’, que anuncia o lançamento do EP que sai em junho. A Abraxas Records já disponibiliza ‘Peregrinação nas principais plataformas de streaming: https://ONErpm.lnk.to/ITD.

Black Sabbath continua como a principal referência do ITD, que recheia ‘Peregrinação’ de riffs potentes e arrastados. A mensagem, em forma de crítica, trabalha com a escatologia em analogia à alienação política.

“Essa música, em particular, trata da forma como as pessoas esperam, sempre, por alguém para seguir. É a alienação do pensamento frente a um candidato, a um líder religioso, que na da verdade são apenas restos de ideia, mas mesmo assim querem segui-las”, conta o baixista Santos.

Completam o ITD os mesmos três integrantes da formação original da primeira demo junto a Santos: Humberto (bateria), Nossat (guitarra/vocal) e Glauber (guitarra). A banda gravou ‘Peregrinação’ no Bradband Studio, com Caio Duarte, e a arte do single é assinada pelo talentoso Tiago Prado.

resenha / review

Leechfeast – Neon Crosses

a1218452222_16
Emergindo dos cantos mais sombrios e gélidos do leste europeu, a banda eslovena Leechfeast não dava as caras desde o seu split de 2015 com a finada banda neozelandesa Meth Drinker. Chegando para romper o silêncio deixado pela banda nesses últimos anos e também para levar à loucura fãs do Sludge Metal espalhados pelo mundo, Neon Crosses é o segundo full lenght da banda eslovena e foi lançado no dia 30 de Março via Dry Cough Records e Rope Or Gullotine.

Aprimorando sua sonoridade imunda e pesada ao ponto de deixar o autor dessa resenha desorientado pela onda sonora esmagadora e mórbida feita pelo grupo esloveno, Neon Crosses é um álbum que te atinge através de ritmos monolíticos intensos, berros crípticos angustiantes e longas faixas que te arrastam cada vez mais para a beira do precipício.

As quatro faixas presentes no álbum são mais do que suficientes para deixar os antigos seguidores da banda extasiados e aqueles que estiverem conhecendo ela através deste lançamento sedentos por mais. Não deixe o início supostamente “calmo” da faixa de abertura ‘Sacrosanct’ enganar você, a Leechfeast entrega um álbum extremamente pesado e visceral.

E embora a sujeira e seções pesadas do álbum sejam aquelas que se apresentam mais pontualmente e definem melhor o tipo de som feito pela banda, em alguns momentos do disco existem algumas guitarras mais melódicas e vocais limpos atuando em forma de cânticos mórbidos e tenebrosos, algo presente na faixa ‘Halogen’ mas que demonstra um efeito mais interessante na chapada faixa de encerramento ‘Razor Nest’, na qual a banda associa melhor sua sonoridade pungente com uma atmosfera torpe e hipnótica.

Parece que o período sem novidades serviu muito bem para a Leechfeast retornar mais abominável do que antes, pois Neon Crosses é de longe um dos lançamentos da cena sludge/doom que mais me agradaram até o momento.

Tracklist:
01 – Sacrosanct
02 – Halogen
03 – Tar
04 – Razor Nest

resenha / review

Destroyer of Light – Hopeless [EP]

A banda texana Destroyer of Light é sem dúvida uma das melhores coisas que surgiram na cena do Doom Metal nos últimos anos. Eles têm crescido musicalmente a cada lançamento e explorado novas sonoridades, mas isso sem perder suas principais características. Chamber of Horrors foi uma prova disso, se você escutou o álbum certamente notou a variedade de influências que a banda trouxe ao álbum, então obviamente, minhas atenções e expectativas se concentraram no mais novo lançamento do grupo, o EP Hopeless.

Trazendo uma dinâmica ainda mais lenta que as anteriores, o EP mostra uma Destroyer of Light mergulhada em seu lado mais obscuro e melancólico, trazendo composições que exploram linhas de guitarras mais melódicas mas que ainda não deixam de apresentarem o peso habitual dos outros trabalhos. ‘Nyx’ e ‘Drowned’ são duas faixas longas e duas odes ao Doom Metal que a Destroyer of Light domina com maestria, ambas as faixas estão repletas de momentos marcantes que evidenciam como a banda tem se esforçado em melhorar a cada lançamento.

Os vocais continuam sendo um dos pontos de maior destaque, trazendo linhas épicas que condizem muito bem com o clima sombrio e envolvente criado pelo instrumental. ‘Nyx’ é a mais arrastada, aquela que te consome aos poucos através de seu instrumental denso e maléfico e tem as guitarras mais afiadas e diversas do EP, além de um desfecho acústico sublime e inesperado. ‘Drowned’ é mais imediata, com poucos instantes decorridos a faixa entrega riffs pesadíssimos através de um ritmo intenso que fará você mergulhar instantaneamente dentro de sua atmosfera sombria.

Eu só tenho que admirar o que a Destroyer of Light tem criado e ficar ainda mais otimista com os futuros lançamentos da banda, os quais mais do que nunca soam bastante promissores. Fica aqui a recomendação, não apenas do EP Hopeless que será lançado no próximo dia 11, mas também de toda a discografia da banda (principalmente o Chamber of Horrors que é fantástico).

resenha / review

Abjection Ritual – Soul of Ruin, Body of Filth

Basicamente, eu não tinha prestado tanta atenção ao som feito pela Abjection Ritual anteriormente, além de breves audições do álbum Futility Rites meses após o seu lançamento. Apesar disso, me senti instigado à ouvir o recém lançado Soul of Ruin, Body of Filth, após ver alguns comentários interessante à respeito do álbum. E após escuta-lo várias e várias vezes, fico feliz em dizer que foi uma das melhores decisões que fiz recentemente.

A Abjection Ritual trilha um caminho aberto em relação à sua abordagem musical neste novo álbum, reunindo estilos diferentes sem sentir a necessidade de se prender à um deles em específico ou se encaixar em um rótulo qualquer. Aquela abordagem barulhenta e capaz de lhe deixar desorientado que a banda adotou anteriormente, que reunia elementos vindos do submundo da música eletrônica e industrial, passa a incorporar mais dinâmicas vindas das cenas Doom e Sludge, resultando em algo que fãs de bandas como Godflesh, Neurosis e até mesmo The Body, só para citar algumas.

Mas ao contrário do que você deve estar imaginando, o álbum não começa jogando todas essas características logo na primeira faixa. ‘Lamentations’ de uma forma surpreendente, introduz uma dinâmica ambient e minimalista que reúne uma série de vocais femininos hipnóticos, criando uma passagem ritualista para a faixa seguinte ‘Body of Filth’. E é a partir daí que o álbum te pega pela mão e não soltar mais. ‘Blood Mother’ e ‘Ruin’ são duas faixas pesadas, intensas e que se destacam com facilidade logo na primeira audição por trazerem elementos mais conhecidos à mesa.

Isso na teoria, porque na prática a ‘Blood Mother’ traz uma parte inteiramente focada nos elementos do noise/ambient entre duas passagens com estruturas mais definidas a fáceis de assimilar. É uma ideia interessante mas que para mim funciona melhor na ‘Old Sins’, faixa de encerramento na qual a banda não fica no meio termo entre o Industrial e o Doom/Sludge, mesclando todos e criando um híbrido claustrofóbico e doentio dentro dessa vertente sonora presente no álbum.

‘Ruins’ é a faixa que mais me agradou no álbum, ela traz uma abordagem mais atmosférica que as demais, trazendo uma certa dissonância, riffs pesados e algumas das melhores performances dos vocais ao longo do álbum, alternando entre berros ríspidos enfurecidos e linhas angustiantes que condizem perfeitamente com a sensação contida na faixa.

Embora seja um álbum mais “metal” que o anterior, Soul of Ruin, Body of Filth não deixa de lado características comuns dos outros discos da banda. Há uma série de elementos eletrônicos ao longo do álbum, assim como faixas absolutamente noise e experimentais, nas quais a densidade abismal é capaz de te engolir aos poucos para dentro de uma ambiente sinistro e horripilante. Você só precisa escutar a faixa ‘Carnassial Passage‘ para ter uma noção exata do que eu estou dizendo.

Da mistura entre sonoridades escolhida pela banda, até a ordem das faixas que vão gradualmente se tornando mais longas e consequentemente mais densas, Soul of Ruin, Body of Filth é um disco interessante, pesado e com mais personalidade que muitos outros que escutei ao longo do ano. Sem dúvida um dos destaques deste primeiro semestre.

a2944660245_16

Tracklist:

01 – Lamentations
02 – Body of Filth
03 – Blood Mother
04 – Deathbed Conversion
05 – Ruin
06 – Carnassial Passage
07 – Old Sins

resenha / review

Thou – The House Primordial

A banda americana Thou pegou os seus seguidores de surpresa na última semana ao lançar seu mais novo EP The House Primordial. Por mais que normalmente haja de forma silenciosa nas redes sociais e já habituada à não dar maiores avisos ou prévias de seus lançamentos, o EP não deixou de ser um dos temas mais comentados da semana.

Inicialmente planejado como o primeiro de uma série de EP’s que antecederão o próximo álbum de estúdio da banda, The House Primordial foge um pouco da linha principal da banda, apresentando uma abordagem mais experimental em relação aos outros lançamentos dela e possuindo mais semelhanças com seus álbuns colaborativos com a The Body.

Não se preocupe, aquela velha e apreciada avalanche sonora corrosiva do grupo pode ser sentida ao longo do EP, principalmente através das faixas ‘Diaphanous Shift’ e ‘Psychic Dominance’, mas diferente do habitual há mais elementos da música ambient e noise. As faixas são mais curtas do que o normal, mas isso não é um fato inédito para aqueles que já se aventuraram pela discografia da banda, mas a ausência daquelas longas e grandiosas faixas que fizeram de álbuns como o Tyrant e Heathen terem aquela atmosfera deteriorante, imersiva e gradualmente devastadora dá ao EP uma sensação diferente.

E particularmente, eu adorei essa nova direção que a banda seguiu no EP. Ele é absurdamente pesado, sujo e barulhento, mas não é algo que você esperaria da banda ou que siga uma lógica mais óbvia. É interessante como o disco flui atrvés de instrumentais numa linha experimental/noise/ambient, com faixas em que esses elementos se juntam à abordagem principal do grupo e os vocais insanos do Bryan Funck. Isso pode quebrar um pouco do clima para aqueles que preferem algo mais fluido, mas combina muito bem com a ideia do EP em si e com o tipo de som, que ao que tudo indica, pode ser recorrente nos próximos lançamentos da banda.

Mesmo não sendo um dos pontos mais altos de sua discografia, The House Primordial apresenta uma Thou mais indigesta e barulhenta do que o normal e que provavelmente deixará os fãs da banda ansiosos por seus próximos lançamentos.

a2323099041_16

Tracklist:

01 – Wisdom in the Open Air
02 – Premonition
03 – The Sword Without a Hilt
04 – Diaphanous Shift
05 – Corruption and Mortal Trauma
06 – Psychic Dominance
07 – Prideful Dementia and Impulsive Mayhem
08 – Occulting Light
09 – Birthright
10 – Malignant Horror