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Eyehategod anuncia terceiro show no Brasil, em Belo Horizonte

Os norte-americanos do Eyehategod confirmaram uma terceira apresentação no Brasil, em outubro deste ano, nesta aguardada primeira turnê pela América do Sul. O show do dia 12/10 (feriado) em Belo Horizonte (MG), no Stonehenge, antecederá os de São Paulo (13/10) e Rio de Janeiro (14/10). A realização é uma parceria entre Abraxas, Obscure Produções e Burning London Records.

Há 30 anos em atividades e mundialmente aclamado como banda pioneira do sludge metal ao lado de Crowbar, Down e Goatwhore, gênero que traz elementos do stoner, doom, punk e até do blues, o Eyehategod construiu uma sonoridade densa, recheada de riffs marcantes numa discografia de cinco álbuns, diversos singles, EP e splits.

Do disco de estreia, In the Name of Suffering (1990), ao último lançado, o homônimo (2014), o Eyehategod estreia no Hemisfério Sul durante uma extensa turnê que também contempla uma enxurrada de shows na Europa e nos Estados Unidos, cujo repertório é um best of das três décadas de muita proatividade na música pesada.

Três bandas nacionais acompanham o Eyehategod na capital mineira: Basalt, Carahter e Cankro.

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Arte: Ars Moriendee

SERVIÇO

Eyehategod em Belo Horizonte

Evento: www.facebook.com/events/1809237962524368
Data: 12 de outubro de 2018
Horário: a partir das 20 horas
Local: Stonehenge Rock Bar
Endereço: Rua Tupis, 1448, Barro Preto – BH/MG
Ingresso: R$ 70 (lote promocional), R$ 80 (1º lote)
Vendas online: www.sympla.com.br/eyehategod-em-belo-horizonte-abertura-carahter-basatal-e-cankro__313537
Pontos de venda física na cidade serão anunciados em breve
Na hora: R$ 110

Censura: 18 anos

Abraxas Fest com Eyehategod + outras bandas em São Paulo (13/10)

Evento: www.facebook.com/events/428628674243793
Data: 13 de outubro de 2018
Horário: a partir das 17 horas
Local: Fabrique Club
Endereço: Rua Barra Funda 1071 – Barra Funda/SP
Ingresso: R$ 100 (lote promocional: 100 primeiros ou até 1/6/18); R$ 120 (primeiro lote antecipado)
Vendas online: https://www.sympla.com.br/abraxasfestsp
Após, R$ 120 até a véspera do show, online (com taxa de serviço) ou nos pontos de venda abaixo indicados:

Yoga Para Todos (Rua Doutor Cândido Espinheira, 156 – Perdizes) – (11) 94314-7955

Volcom (Rua Augusta, 2490 – apenas em dinheiro) – (11) 3082-0213

Loja 255 na Galeria do Rock (11) 3361-6951

Ratus Skate Shop (Rua Doná Elisa Fláquer, 286 – Centro, Santo André) – (11) 4990-5163

Na Hora: R$ 140
Censura: 16 anos

Abraxas Fest com Eyehategod + outras bandas no Rio de Janeiro (14/10)

Evento: www.facebook.com/events/1925147550842727
Data: 14 de outubro de 2018
Horário: a partir das 18 horas
Local: Cais da Imperatriz
Endereço: Rua Sacadura Cabral, 145 – Centro/RJ
Ingresso: R$ 80 (promocional: 50 primeiros); R$ 100 (primeiro lote antecipado)
Vendas online: https://www.sympla.com.br/abraxasfestrj

Vendas físicas:

Rocksession (Rua Conde de Bonfim, 80, loja 3 – subsolo – Tijuca) – 3168-4934

Tropicália Discos (Praça Olavo Bilac, 28 – Sala 207 – Centro) – 2224-9215
Hocus Pocus DNA (Rua 19 de fevereiro, 186 – Botafogo) – 3452-3377
Inside Rock (Avenida Amaro Cavalcanti, 157 – Méier) – 3985-8040
Sempre Música Catete (Rua Corrêa Dutra, 99; sobreloja 216 – Catete) – 2265-6910
Na hora: R$ 120
Censura: 16 anos
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resenha / review

Urfaust – The Constellatory Practice

 

É incrível como a discografia da Urfaust se tornou tão expansiva e rica em termos de musicalidade e criatividade. Concebida nos anos 90, a banda seguiu o feliz caminho de outras da cena Black Metal dos anos 90 que abandonaram aquela abordagem crua e visceral que marcou o estilo no período e tratou de se reinventar a cada disco lançado, ou pelo menos, tentar pensar um pouquinho fora da caixa e explorar outras sonoridades e ideias.

A banda é responsável por alguns dos melhores discos que escutei nos últimos anos, e não digo isso me referindo à apenas uma cena musical, mas sim de uma forma geral. A trilogia iniciada em 2015 com o EP Apparitions, teve sequência através do fantástico Empty Space Meditation e encontra seu desfecho com o recém lançado The Constellatory Practice.

Entre os diversos aspectos positivos e interessantes apresentados ao longo do álbum, um dos que mais chamam a atenção é como a sonoridade da banda parece se situar dentro de seu próprio contexto, sem se tornar algo necessariamente que vá atender à ´rotulos específicos. A banda mistura texturas do metal extremo e Doom Metal, apostando linhas vocais épicas e em ritmos cadenciados repletos de timbres monolíticos mas que conseguem sempre te levar adiante, jogando atmosferas sombrias e misteriosas que aos poucos vão se revelando verdadeiros mantras e que possuem um clima meditativo único.

Por mais que esse lado monolítico do disco seja bem evidente em alguns momentos, ele não impede a banda de experimentar e introduzir diferentes tipos de melodias ou de mesmo aplicar certos tipos de progressões. Isso é logo evidenciado pelas duas primeiras faixas do disco. Enquanto ‘Doctrine of Spirit Obsession’ vem com seus 13 minutos de uma verdadeira jornada sensorial , ‘Behind the Veil of the Trance Sleep’ exclama com sua diversidade de texturas, indo de momentos calmos à passagens ásperas e turbulentas que invocam um espírito similar aos dos primeiros trabalhos da banda, antes de te lançar novamente no ritual altamente atmosférico e delirante que é uma das marcas principais do disco.

Por mais que eu descreva e tente detalhar o álbum, The Constellatory Practice possui uma grandeza que é difícil de tentar reproduzir com palavras. É um tipo de álbum para se experienciar diversas vezes e permitir que sua mente penetre no âmago musical do grupo.

resenha / review

King Goat – Debt of Aeons

 

Após o lançamento do aclamado Conduit em 2016, a banda britânica King Goat retorna com seu segundo álbum de estúdio Debt of Aeons, lançado no dia 20 de Abril via Aural Music.

Se você já teve a oportunidade de escutar a banda anteriormente, sabe que a King Goat é mais uma banda que aposta na fusão de elementos do Rock Progressivo com o Doom Metal. O resultado além de ter se demonstrado eficiente e singular em relação à outras bandas que se aventuram por esse caminho, trazia uma clara influência da escola épica do Doom Metal.

Debt of Aeons não foge muito das características do Conduit, a King Goat segue criando um instrumental incrivelmente expressivo e expansivo, se sustentando em progressões bem executadas e com inserções de dinâmicas que impedem que o álbum se arraste por repetições indesejadas. E por focar numa temática que lida com aspectos relacionados ao declínio e pessimismo que existem em nossa sociedade, é natural que o álbum soe mais sombrio, aliás, é algo necessário.

As três primeiras faixas do álbum não são tão focadas na linha progressiva que fizeram de Conduit ser tão eficiente. Elas partem para o lado mais épico da King Goat, abraçando a aura old school do Doom Metal. Pesado e arrastado, mas que não deixa de apresentar um instrumental convincente e bem conduzido, que juntamente das performances fantásticas e passionais do vocalista Anthony Trim elevam o patamar à um outro nível.

As coisas tomam outro rumo após a faixa ‘Psychasthenia’, justamente quando a King Goat traz para o centro das atenções elementos do rock progressivo que foram tão marcantes no Conduit. ‘Doldrum Sentinels’ e ‘On Dusty Avenues’ trazem mais variedade à música da banda, composições que de certo modo poderiam ser descritas como complexas e estão sempre seguindo adiante, se apresentando de uma forma tão fluida que cria uma proximidade imediata com o ouvinte. Inclusive a ‘On Dusty Avenues’ está entre as melhores faixas que escutei nesse ano, tem toda uma caracterização grandiosa e necessariamente épica, conseguindo transmitir não apenas o feeling geral do álbum, mas também demonstrar aquilo que há de melhor na música da King Goat.

Por mais que Conduit tenha estabelecido um padrão alto de expectativas em relação à King Goat, Debt of Aeons conseguiu atingir o nível encontrado do disco de estreia, algo que me deixaria até indeciso se você me perguntasse qual dos dois é o meu favorito. Espero que a banda continue me dando essas dúvidas agradáveis em seus próximos álbuns.

Tracklist:
01 – Rapture
02 – Eremite’s Rest
03 – Debt of Aeons
04 – Psychasthenia
05 – Doldrum Sentinels
06 – –
07 – On Dusty Avenues

resenha / review

Haunted – Dayburner

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Dayburner é o mais novo álbum da banda italiana Haunted, já disponível para streaming e com lançamento oficial das versões físicas agendadas para o dia 8 de Junho via Twin Earth Records (CD) e Graven Earth Records (K7). O disco de estreia deles foi uma das boas surpresas que tive em 2016, trazendo uma sonoridade pesada e sombria nos moldes da Windhand, o que me causou uma boa impressão e naturalmente me deixou curioso para saber o que a banda entregaria futuramente.

Dayburner segue basicamente os mesmos padrões sonoros do álbum de estreia, a banda optou por aprimorar o tipo de som que fazia ao invés de propor mudanças drásticas à sua fórmula. E não digo isso para insinuar que o álbum seja apenas uma repetição do primeiro ou algo do tipo, há certos momentos em que você pode perceber que a banda está experimentando algo novo, mas sem sair do caminho que escolheram. É uma decisão mais segura e que não afeta o desempenho do disco, principalmente se você já havia gostado do que ouviu anteriormente.

A banda está mais sombria do que antes e as composições apresentam melhorias em todos os aspectos. As guitarras no disco são fascinantes dentro da ótica oculta e macabra que existe na música da Haunted, sendo responsáveis pelos já conhecidos e apreciados riffs marcantes e pesados, mas também adicionando algo à mais como os arranjos suaves que retiram inspiração da música folk na abertura da faixa título, ou a atmosfera espessa e envolvente existente na faixa ‘Vespertine’, que é a mais distinta do álbum e traz algo de diferente ao âmbito musical do grupo, tanto no ponto de vista de estilo quanto de estrutura.

E como não poderia ser diferente, os vocais da Cristina Chimirri estão fantásticos. Eu sinto que toda a banda se sentiu um pouco mais livre, e confortável neste álbum, e isso é algo que reflecte diretamente na performance dela, que demonstra ainda mais versatilidade e passionalidade em Dayburner do que havia nos transmitido no álbum de estreia. Ela tem uma presença forte, soa misteriosa, tocante e libertadora, é o tipo de voz ideal para representar o tipo de som feito pela banda e isso fica claro ao escutar faixas como ‘Mourning Sun’ ou ‘Waterdawn’.

Em Dayburner a Haunted se mostra mais madura e eficiente naquilo que sabe fazer de melhor, o que será motivo suficiente para agradar tanto aqueles que curtiram o disco de estreia, quanto aqueles que estiverem conhecendo o trabalho da banda através deste álbum.

Tracklist:

01 – Mourning Sun
02 – Waterdawn
03 – Dayburner
04 – Communion
05 – Orphic
06 – Vespertine
07 – No Connection With Dust
08 – Lunar Grave

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Em novo EP, ITD avança com doom metal cantado em português

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Puxado pelo single Peregrinação, lançado na primeira quinzena de maio, a banda de doom metal brasiliense Into the Dust, a ITD, acaba de lançar o seu segundo EP. As quatro faixas do registro, disponíveis nas principais plataformas de streaming via Abraxas Records, podem ser conferidas aqui: https://ONErpm.lnk.to/ITD.

O novo EP, sem nome, é um complemento natural do EP originalmente lançado em 2014 e disponibilizado ano passado pela Abraxas para streaming. É doom cantado em português, por diversas vezes escatológico, mas também com duras críticas à avareza e mesquinharia que corrói o homem.

A faixa de abertura, ‘Escolhido’, é uma alegoria sobre o ser humano e sua função social no mundo. A seguinte, ‘Relíquias do Caos’, retrata Brasília, mais exatamente sobre a destruição moral dos políticos corruptos. Já ‘Era Sombria’ é basicamente sobre egoísmo, emendada a um bônus, ‘Fraus’, que fala sobre misericórdia.

Apesar de Black Sabbath ser o principal norte da ITD, referências além doom também pontuam este EP, que ora é arrastado, ora aposta no peso cadenciado. Para o baixista Sandro Santos, este novo material tem um aspecto de “volta às origens” da banda, ao mesmo tempo em que continua a incrementar a música com outras possibilidades sonoras. Entre algumas influências, Santos cita os norte-americanos do Eyehategod, lendário nome do sludge/doom metal, na ativa há quase 30 anos, e que se apresentará pela primeira vez no Brasil nos dias 13 e 14 de outubro, no Abraxas Fest.

Completam o ITD Humberto (bateria), Nossat (guitarra/vocal) e Glauber (guitarra). O lançamento ao vivo do EP acontece dia 30 de junho, em Brasília, no Ragnarock Cultura Underground (Ceilândia). Para a ocasião, a Into the Dust convida quatro bandas: Soror, A Peste, Device e Lastro.

 

Recomendações

Black Box Warning, High Priestess & Boss Keloid

Após um atraso considerável, retorno com três novas recomendações de discos que tenho escutado ultimamente. Dessa vez, trago do Doom/Sludge dos Black Box Warning, a pegada setentista encontrado linhas psicodélicas do Doom Metal das High Priestess, e encerrando com a diversidade incrível e encantadora dos Boss Keloid. Espero que gostem!

Black Box Warning – Attendre La Mort

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A Black Box Warning é mais uma das boas novidades vindas da cena francesa neste ano. A banda lançou seu EP de estreia intitulado Attendre La Mort no dia 8 de Março e se você aprecia bandas que transitam por elementos clássicos do Doom e Sludge dos anos 90, mas que mantenham uma roupagem mais atualizada, você definitivamente precisa ouvir o trabalho desses caras.

Attendre La Mort vai direto ao ponto, é pesado à níveis arrasadores e insanos, sujo da forma que aprecio minhas bandas favoritas de Sludge, e ainda mostram musicalidade de sobra sendo capazes de criar faixas com diversas variações rítmicas que impedem que a experiência proposta pela banda se torne exaustiva. Pelo contrário! Esses caras tem a medicação ideal para você que se sente apático e preso à monotonia, então certifique-se de consumir este EP sem moderação.

High Priestess – High Priestess

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As High Priestess são um power trio americano formado em 2016 e que recentemente se juntou à família da Ripple Music para lançar seu trabalho de estreia auto intitulado no dia 18 de Maio.

O álbum traz uma releitura da demo lançada no último ano e mais a faixa inédita ‘Banshee’. Caso este seja o seu primeiro contato com a banda, espere por uma sonoridade que reúne influências que vão desde bandas dos anos 70 assim como algo da cena Doom Metal de outras épocas, apostando em uma linha mais psicodélica para fomentar sua sonoridade.

Os vocais são um dos pontos que mais despertaram meu interesse, trazendo linhas hipnóticas e cânticos que em alguns momentos soam como um verdadeiro mantra. Na estelar ‘Earth Drive’ com sua pegada inspirada no folk é onde se encontram um de seus momentos mais deslumbrantes. E a performance instrumental não fica atrás em questão de qualidade e versatilidade, moldando uma atmosfera nebulosa e psicotrópica que te levam desde momentos de pura euforia e libertação, à outros que trazem uma áurea sombria que vai te envolver completamente, como na ‘Mother Forgive Me’, minha favorita do álbum.

O álbum é estonteante e definitivamente vai satisfazer o gosto de muitos aficionados pelo estilo, então tenha certeza de incluí-lo em sua playlist, e claro, ficar de olho no que esse trio vai lançar futuramente!

Boss Keloid – Melted on the Inch

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Se você gosta de bandas que transitem por vertentes pesadas da música com uma série de influências do rock progressivo, você precisa parar tudo o que estiver fazendo e escutar o Melted on the Inch, mais novo trabalho da banda britânica Boss Keloid.

Honestamente, você deveria escutar toda discografia, mas por hora, Melted on the Inch é um cartão de visitas mais apropriado. Criatividade e inspiração são duas coisas que exalam de cada trecho deste álbum, é uma banda capaz de reunir uma série de dinâmicas e influências dentro de um único contexto, criando uma tipo de música que está sempre se transformando e expandido.

Melted on the Inch é algo que pode e deve explodir sua mente. À todo instante a Boss Keloid vai te lançando de encontro a paisagens sonoras vibrantes, criadas à partir de um processo de instrumentação rico em detalhes e vasto. Queira você belos arpejos de guitarra, linhas de baixo e percussão numa pegada jazzy, ou vocais que mudam constantemente o tom par se encaixar no clima do álbum, Melted on the Inch é um álbum único e que vem para reforçar a presença da Boss Keloid entre as bandas mais criativas não só da cena britânica. Se você é fãs de bandas como Elder e Mastodon, você precisa ouvir a Boss Keloid.

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Chrch – Light Will Consume Us All

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É fácil encontrar motivos para elogiar uma banda como a Chrch. O quinteto de Sacramento despontou no cenário do Doom Metal dos últimos anos mostrando ser uma força considerável e um daqueles nomes promissores para ficar de olho. Eis que surge Light Will Consume Us All, segundo álbum de estúdio da banda lançado no dia 11 de Maio via Neurot Recordings. E ele é sem nenhuma dúvida um grande passo adiante em relação ao álbum de estreia.

Óbvio que não digo isso com o intuito de diminuir o álbum de estreia da banda, mas sim para reafirmar a qualidade e evolução que ela apresenta em seu mais novo trabalho. Light Will Consume Us All apresenta três faixas extensas nas quais a Chrch expande seus horizontes musicais, criando um álbum instigante e grandioso.

‘Infinite Return’ tem um início repleto de mistério, é a Chrch lhe introduzindo à faixa mais extensa do álbum. É interessante a musicalidade do grupo logo na primeira faixa, não apenas se tratando da qualidade que já era algo aparente nos lançamentos anteriores, mas a maneira que a banda transita por uma série de ritmos densos indo de passagens introspectivas à momentos em que sua alma vibra com as linhas de guitarras cheias de melodias que ecoam através da faixa. Os vocais complementam muito bem a atmosfera graças ao tom fantasmagórico vindo da voz da Eva Rose, soando distantes e carregando uma calma surpreendente apesar do instrumental pesado vir esmagado tudo ao seu redor.

Na sequência vem a faixa ‘Portals’. O ritmo inicial monolítico desencadeia uma onda sonora de pura devastação, algo grandioso e nocivo mas que consegue te atrair graças aos vocais hipnóticos que nos guiam pelos primeiros momentos da faixa. A atmosfera vai te lançando em camadas cada vez mais densas e uma sensação de melancolia crescente pode ser sentida. Já nesse ponto fica claro como a Chrch é capaz de orquestrar as mais diversas melodias e explorar diferentes climas em sua música, vai do caótico e pesado ao acolhedor e transcendental em questão de instantes. A aura nebulosa e intoxicante que exala do solo final de guitarra é apenas reafirmada graças à performance da Eva, que mais uma vez atua como nossa guia através deste lugar incerto pelo qual caminhamos.

Chegamos ao desfecho com ‘Aether’. Sensação de melancolia ao máximo marca a faixa de encerramento do álbum. Logo nos primeiros instantes a Chrch deixa claro se tratar de uma faixa incrivelmente fúnebre, tanto no ritmo quanto na sensação que lhe acompanhará ao longo dela. O uso de vocais ásperos e angustiantes é um complemento ideal para o clima da faixa, eles tiveram uma breve participação nas faixas anteriores, mas em Aether, é onde urgem com toda emoção possível. É interessante ver como o álbum caminha até este ponto final, embora seja um álbum pesado, a Chrch consegue criar algo mais pensativo, elaborar faixas que transitam por variações interessantes, sejam no instrumental ou na atmosfera, à medida que o álbum avança ele se torna cada vez mais sombrio e doloroso, encerrando em uma brutalidade espantosa num último suspiro antes de sermos inteiramente consumidos.

Em Light Will Consume Us All a Chrch mostra uma habilidade incrível ao misturar diversas influências de uma forma criativa e que consegue se estabelecer dentro da própria identidade musical do grupo, mas sem deixar de trazer um tom familiar e apreciado pelos ouvintes. Definitivamente um álbum para entrar na minha lista de favoritos do ano.

Tracklist:

01 – Infinite Return
02 – Portals
03 – Aether