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[Recomendação] Ataraxy – Where All Hope Fades

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Lançamento: 18 de Fevereiro
Gravadora: Dark Descent Records

 

  • Ataraxy é uma banda espanhola da cidade de Zaragoza e foi criada no ano de 2008. O quarteto é formado Javi (vocal, guitarra), Viejo (bateria), Santi (guitarra) e Edu (baixo).

 

  • Where All Hope Fades é o segundo full lenght da banda, o primeiro pelo selo Dark Descent Records, no qual a banda deixa um pouco de lado a abordagem primária que consistia num Death Metal influenciado pela cena dos anos 90 e passa a atribuir elementos do Death/Doom característicos de bandas da cena finlandesa e nomes como Katatonia e Asphyx.

 

  • O álbum é marcado por uma atmosfera mórbida e misteriosa, alternando com bastante coesão entre passagens repletas da brutalidade vinda das raízes Death Metal do grupo, com momentos arrastados em que o tom de melancolia ganha proporções notáveis.

 

  • A parte instrumental merece elogios, o mix na maior parte do disco permite uma audição detalhada de cada instrumento, dando destaque para os riffs monstruosos e linhas de guitarra melódicas que disputam o centro das atenções. À frente disso estão os vocais cavernosos e melancólicos de Viejo, que conseguem aumentar a intensidade da atmosfera criada pelo instrumental e demonstrar uma fúria incontrolável nas passagens mais aceleradas e pesadas do disco.

 

  • Where All Hope Fades demonstra eficiência em criar faixas agressivas e pesadas, mas sem deixar de lado o clima sombrio e a atmosfera sinistra. Pode não ser o lançamento de maior destaque dentro da cena Death/Doom no ano, mas é algo que eu recomendaria à todos os fãs do gênero. Destaque para as faixas ‘A Matter Lost In Time’ e ‘The Blackness Of Eternal Night’.

Ouça o álbum no Bandcamp ou Spotify.

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Recomendações

[RECOMENDAÇÃO] USURPRESS – INTERREGNUM

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Lançamento: 23 de Fevereiro
Gravadora: Agonia Records

 

  • Usurpress é uma banda sueca que iniciou suas atividades em 2010, originalmente formada por  Stefan Pettersson (vocal), Påhl Sundström (guitarra) e Daniel Ekeroth (baixo)

 

  • Interregnum é o quarto álbum de estúdio da banda e facilmente o mais ambicioso e criativo já produzido por ela. Caracterizada pela sonoridade sustentada por um Death Metal cavernoso e que a cada lançamento foi incorporando elementos de outros estilos como Sludge e Doom, Interregnum vê a banda pisando em um terreno repleto de influências do Rock Progressivo e Jazz.

 

  • Descrito pela própria banda como uma fusão entre Bolt Thrower e Camel, Interregnum conta com a participação dos músicos Stefan Hildman (baterista) e Erik Sundström (teclado), e ambos desempenham papéis fundamentais na construção da sonoridade encontrada no álbum, que consegue manter os padrões de peso e brutalidade elevados e sobrepô-los à passagens incrivelmente imersivas, suaves e com um ar hipnótico adicionado pelo teclado.

 

  • Por mais que o álbum possa soar um pouco ousado, a banda claramente sucede dentro daquilo que se propõe à criar. O álbum possui diversas nuances e todas muito bem executadas, sendo um prato cheio para aqueles que procuram por algo pesado mas que não siga exatamente os padrões mais convencionais do gênero. No meio de tantos riffs de alto calibre, vocais que vão do gutural à passagens limpas repletas de melancolia, baixo e bateria adicionando momentos técnicos, brutais e seções jazzy, e por fim, o teclado lançando camadas extras à sonoridade, opções não faltam ao longo das sete faixas para te manter fixado, bater cabeça e contemplar belas melodias que surgem através de transições iniciadas com espamos brutais fornecidos pela banda.

 

  • Os destaques do álbum ficam por conta das faixas ‘In Books Without Pages’ e ‘Ships of Black Glass’.

 

Ouça o álbum no Bandcamp ou Spotify.

 

resenha / review

Hamferð – Támsins Likam

Uma das coisas mais recompensadoras que alguém que está sempre acompanhando determinada cena musical pode conseguir, é a oportunidade de conhecer bandas dos mais diversos lugares e que trazem para o seu âmbito musical, elementos da cultura, folclore e natureza de sua terra natal.

A Hamferð é uma dessas bandas. O originária das Ilhas Faroe, que poder ser considerado um lugar atípico para se esperar algo relativo à cena de algum subgênero do Metal, o que inicialmente soará como um atrativo à parte para muitos.

Em seu segundo álbum de estúdio Támsins Likam, lançado pela Metal Blade Records, a Hamferð dá continuidade ao conceito explorado no álbum anterior, captando o clima gélido e atmosfera densa presentes nas histórias ligadas à origem do nome da banda, que na cultura do país está relacionada à contos de aparições de marinheiros desaparecidos e toda situação envolvendo seus entes queridos e familiares.

Para ser justo, a Hamferð não é algo que surgiu de repente. Formada em 2008, a banda já havia vencido a batalha de bandas no Wacken Festival e excursionado ao lado da lendária Amorphis. Ao escutar Támsins Likam, espere por um álbum bem conduzido, prezando por uma cadência e elaborações mais calculadas. São seis faixas bem interessantes nas quais a banda consegue demonstrar em doses generosas um pouco da diversidade que rodeia sua paleta musical.

A faixa de abertura “Fylgisflog” inicia com arranjos beirando o minimalista, numa calmaria e sensação de tranquilidade que são bem captadas pelo vocalista Jon Aldara. Leva um certo tempo, mas a faixa finalmente se revela um colosso com rffs pesados, teclados fantasmagóricos e instrumental se tornando denso e atmosférico, com Aldara alternando entre belas passagens limpas e guturais cavernosos. Na faixa seguinte “Stygd”, um ritmo vagaroso em companhia dos guturais do vocalista Jon Aldaram tratam de nos recepcionar.  A percussão calma, riffs pesados, mas sem atingir uma intensidade esmagadora são os destaques e o desenvolvimento é surpreendente, Jon Aldara executa vocais limpos formidáveis e que atua em grande harmonia com o instrumental atmosférico e belo.

Os vocais limpos são sem sombra de dúvidas um dos melhores pontos do álbum. Eles atuam de uma forma operística e repleta de uma carga dramática que capta bem o tom geral do álbum, e o fato de cantar em seu idioma natal ajuda a criar uma certa distinção de tudo aquilo que você está habituado à escutar, e também, criar uma experiência sensorial de deixar até o metaleiro mais carrancudo com arrepios na espinha.

Na faixa de encerramento “Vápn Í Anda”, temos a performance mais marcante de Aldara e aquela que se tornou minha faixa favorita do álbum. Épico desfecho que beira os 11 minutos de duração, “Vápn Í Anda” caminha por paisagens sonoras gélidas, angustiantes, contrastando entre o início sereno que remete à muitas passagens e momentos do álbum, e o tom fúnebre e melancólico conduzido pelas passagens mais pesadas, onde toda a parte instrumental é incrivelmente bem construída e recheada de detalhes para aqueles que gostam de entregarem por completo as suas mentes à esse tipo de faixa.

Assim como a história contada pela banda, Támsins Likam é um álbum construído capítulo por capítulo, ou nesse caso, faixa por faixa. Você não fica com aquela sensação de desfecho ou término entre uma faixa e outra, mas sim de continuidade, uma sequência de ideias sendo estruturadas e complementadas. Támsins Likam é uma expressão diferenciada daquilo que habitualmente encontramos no Doom, mas que certamente fará bem tanto aos ouvidos quanto as mentes de muitos ouvintes.

resenha / review

Hooded Menace – Ossuarium Silhouettes Unhallowed

Ossuarium Silhouettes Unhallowed é o quinto álbum de estúdio da banda finlandesa de Death/Doom, Hooded Menace, e será lançado no dia 26 de Janeiro via Season of Mist.

É bem provável que você já conheça algum trabalho da banda, ou no mínimo, já viu alguém comentando sobre ela. A Hooded Menace tem marcado seu nome na cena atual do Death/Doom com álbuns que conseguem trazer todo aquele clima de bandas clássicas do gênero dos anos 90, criando uma sonoridade densa, pesada e com toda uma estética assustadora que se encaixaria com obras de horror em diferentes mídias.

E é assim que a banda executa o Ossuarium Silhouettes Unhallowed, sem sair dos trilhos ou tentar promover mudanças que possam ser consideradas fora do contexto ou que transformem a dinâmica da banda em algo diferente daquilo que você poderia esperar dela.

O álbum se inicia dando um golpe certeiro nos seus ouvidos, com a monstruosidade que atende pelo nome de “Sempiternal Grotesqueries”. Nesta faixa que ultrapassa os 10 minutos de duração e começa jogando toda melancolia e ritmo arrastado mais puxado para o Funeral Doom, lembrando um pouco a estética do álbum anterior Darkness Drips Forth.

Ossuarium Silhouettes Unhallowed se alterna entre passagens de puro peso e brutalidade, com vocais guturais cavernosos e gélidos capazes de causar arrepios. As guitarras apresentam linhas mais melódicas em muitos momentos do álbum, algo que já podia ser notado em outros discos da banda mas que aqui, culminam em algumas das melhores passagens, e consequentemente, faixas do álbum. Usarei as minhas faixas favoritas do álbum para exemplificar isso. “In Eerie Deliverance” e “Cascade of Ashes” conseguem te lançar em atmosferas mais espessas mas sem abrir mão do peso habitual do grupo, entregando uma sonoridade que fará fãs do Paradise Lost na fase Gothic se sentirem bem recebidos.

Eu acredito que Ossuarium Silhouettes Unhallowed é um trabalho que não irá decpecionar os fãs da banda e nem aqueles que apreciam essa linha do Death/Doom mais próxima dos clássicos dos anos 90. Meu favorito da banda desde o Never Cross the Dead.

resenha / review

Usnea – Portals Into Futility

Entre as diversas bandas que surgiram nos últimos cinco anos que possuem em comum o fato de misturarem vertentes extremas do Metal com o Doom, a Usnea sem dúvida é uma das que mais despertam meu interesse. Então é óbvio que eu tinha um nível de expectativa moderado em relação o Portals of Futility, terceiro álbum de estúdio da banda lançado no dia 8 de Setembro pela Relapse Records.

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